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Abate de jacarés para oferta de couro e carne deve avançar no Brasil

terça-feira | 12-09-2017

O quilo de filé chega a custar R$ 70 e o couro do animal conquista a atenção do mercado internacional

Restaurantes sofisticados sempre buscam inovar em seus cardápios. Além de oferecer cortes de carnes nobres de bovinos, chefs renomados buscam surpreender os consumidores com carnes exóticas, como paca, rã e faisão. A carne de jacaré é também uma das grandes promessas para esse nicho de mercado e anima produtores. “É um mercado sem concorrentes. Tem uma proteína muito nobre, e qualidades nutricionais únicas”, afirma Weber Girardi, gerente operacional da Caimasul, empresa que cria jacarés em cativeiro para fins comerciais em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

A iguaria, que chega a custar R$ 70,00 por quilo, está se popularizando na mesa dos brasileiros. Todas as partes do animal criado em cativeiro podem ser aproveitadas para consumo. Também há espaço para o comércio do couro do jacaré, que é requisitado principalmente pelo mercado internacional. Isso faz com que cada vez mais produtores se interessem pela criação desses animais. “O mercado tem um crescimento muito grande e está à espera de produtos”, diz Girardi.

Investimento na prática

Apenas as espécies Caiman Latirostris, Caiman Yacare, Caiman crocodilus e Melanosuchus Niguer de jacarés estão aptas para criação comercial. Essas espécies podem ser criadas com sistema de reprodução em cativeiro ou a partir da coleta de ovos ou filhotes na natureza e recria dos animais jovens em cativeiro.

No caso da Caimasul, a espécie criada é a Caiman Latirostris, mais conhecida como Jacaré do Pantanal. O projeto de criação de jacarés teve início em julho de 2013, sendo que a primeira coleta de ovos para incubação ocorreu em 2014. Desde então, a empresa aplicou R$ 25 milhões no negócio.

Girardi conta quais são os fatores determinantes para o sucesso da criação. “Manejo e apartação de acordo com o tamanho dos animais, além de uma equipe muito dedicada para manter os bichos sem estresse e seguir a mesma rotina para que os animais se acostumem”, afirma. A separação dos jacarés ocorre mensalmente para manter a homogeneização entre tamanhos e melhorar o ganho de peso.

Criação

 Além dos cuidados com o manejo, o investimento na estrutura faz toda a diferença na criação. O complexo da Caimasul possui uma área de 150 hectares no total, dos quais os recintos de criação e engorda ocupam aproximadamente 6 hectares para abrigar 79 mil animais. Os 144 hectares restantes são ocupados com a fábrica de ração para os jacarés, frigorífico, estação de tratamento de efluentes e lojas próprias para venda da carne e couro.

Na Caimasul, os animais são criados em tanques de concreto, que contam com limpeza e troca de água diária, além de alimentação fornecida em dias intercalados. Os tanques possuem uma área seca no centro para a oferta de ração e o banho de sol dos animais. A alimentação é composta por miúdos de carne bovina fresca que é processada diariamente na fábrica, misturada a farinhas e aditivos.

A Caimasul investe em duas técnicas para a criação dos animais. A primeira é a coleta de ovos na natureza, em áreas pré-determinadas por órgãos ambientais. Também é feita a criação sob sistema de ciclo fechado, na qual é utilizada reprodutores da propriedade. “Quando o animal está em cativeiro, com 3 a 4 anos eu consigo formar uma matriz pronta para a reprodução. Esse animal em cativeiro atinge uma maturidade sexual mais rápido. Na natureza, costuma demorar de 12 a 15 anos”, conta Girardi.

A empresa cria jacarés em escala comercial adotando tecnologias para garantir o conforto térmico dos animais e também investe em alimentação balanceada para cada ciclo de crescimento. Os animais ficam nos recintos de criação/engorda até a fase final da criação. “O abate ocorre com até 2 anos, que é quando o animal atinge o ponto ideal para a exploração do couro. Ele será abatido com 10 quilos, com aproximadamente 1,20 metro”, conta Girardi.

Início dos abates

A Caimasul possui frigorífico habilitado pelo Ministério da Agricultura para abater os jacarés, com capacidade instalada para o abate de 600 animais por dia. A empresa vai iniciar os abates no dia 21 de setembro. “Já temos em torno de 30 mil animais prontos para o abate.”

Inicialmente, a previsão é produzir 6 toneladas de carne de jacaré por mês, com aumento gradativo até atingir a meta de trinta toneladas de carne mensais. Embora a empresa ainda não tenha começado a vender a carne de jacaré, a empresa está preparada para estrear no mercado e as perspectivas são muito positivas. “Desde 2015, estamos apresentando o projeto [para o mercado] e a receptividade para essa carne é muito boa. Já temos uma demanda bastante significativa, são cerca de 60 clientes aguardando o início dos abates”, diz Girardi. “Já adquirimos um caminhão refrigerado para atender aos clientes mais próximos e também restaurantes no estado de São Paulo.”

Girardi afirma que a criação de jacarés é um negócio que pode atrair produtores de diferentes perfis. “Do pequeno ao grande [produtor], o mais importante é ter um frigorífico para que a carne possa ser processada, aí todos podem fornecer o animal para o abate”, afirma Girardi.

Outro exemplo de sucesso na criação de jacarés é o trabalho da Cooperativa de Criadores de Jacaré do Pantanal (Coocrijapan), que tem a permissão para criar os jacarés da espécie Caiman Yacare. A Cooperativa possui área de criação com sete galpões cobertos, 26 baias redondas e duas áreas com recinto aberto com foco no bem estar animal.

Além disso, existe uma sala de processamento de alimento dos animais e um frigorífico com capacidade de abate de 300 animais por dia. Ivan Polisel, gerente administrativo da Coocrijapan, afirma que o mercado voltado para a carne de jacaré está crescendo tanto no Brasil como internacionalmente. “Exportamos couro para México, Itália, e a carne vendemos no mercado interno”, afirma.

Avanço do mercado consumidor

Embora tenha muito potencial para crescer, a carne de jacaré ainda precisa ser desmistificada. O gerente também afirma que a maior dificuldade no comércio dessa carne é a falta de conhecimento na hora do preparo. “Todos ainda imaginam que é uma carne de caça e deve ser aferventada. É uma carne muito leve e deve ser preparada grelhada e com pouco tempero para não perder a essência”, diz Girardi. “Em todos os cortes, a carne de jacaré só tem 0,3% de gordura.”

Regulamentação

Para que o produtor seja autorizado a possuir um criatório e frigorífico de jacaré é necessário seguir algumas regras. Entre elas, é necessário ter documentos de regularidade, autorização de uso e manejo, alvará sanitário, certificado de registro do Ibama, certificado de Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura (Mapa), entre outros.

Fonte: SF Agro

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