botão play OUÇA AO VIVO

notícias

Capacitação aborda controle de insetos-praga na Terra Indígena Kaxinawá de Nova Olinda

quarta-feira | 05-12-2018

– Foto: Priscila Viudes

 

EMBRAPA – Moradores da Terra Indígena Kaxinawá de Nova Olinda, localizada no município de Feijó, participaram de minicursos sobre insetos benéficos para a agricultura e controle biológico de insetos-pragas, de 12 a 18 de novembro, realizados pela Embrapa Acre. A capacitação, ministrada pelas bolsistas Lídia Cunha Magalhães e Eva Maria Rodrigues, coordenada pelo pesquisador Rodrigo Santos, faz parte do projeto “Etnoconhecimento e Agrobiodiversidade entre os Kaxinawá de Nova Olinda – Fase II”, iniciado em 2015 e com encerramento previsto para janeiro de 2019.

Pesquisas revelam que muitas espécies de insetos, especialmente os pertencentes à ordem Hymenoptera, são importantes no processo de controle biológico natural de insetos considerados pragas na agricultura. Esse grupo de inimigos naturais inclui os insetos parasitoides, onde predominam pequenas vespinhas, que utilizam insetos-pragas como hospedeiro para depositar seus ovos e completar seu ciclo natural de vida. Ao saírem dos ovos, as larvas se alimentam do hospedeiro, contribuindo para manter o equilíbrio na natureza. O objetivo das capacitações foi proporcionar conhecimentos gerais sobre esses e sobre alternativas para o controle biológico de insetos-pragas nos cultivos agrícolas na Terra Indígena.

Cada minicurso teve a duração de um dia, com atividades teóricas e práticas, baseadas na troca de conhecimentos, sempre valorizando o saber tradicional indígena. A bolsista Lídia Cunha abordou o controle de formigas cortadeiras, também conhecidas como formigas de roça, nos cultivos de mandioca, com uso de sementes de gergelim. “Colocadas no caminho das formigas, as sementes são levadas para o interior do formigueiro, onde se degradam e liberam uma substância tóxica que mata o fungo que se desenvolve no interior da colônia e serve de alimento para as formigas. A falta de alimento faz com que esses insetos abandonem o formigueiro e busquem outro lugar para habitar”, explica.

A atividade conduzida por Eva Maria enfatizou a identificação de insetos benéficos para a agricultura, por meio de dinâmicas em grupo, com foco no reconhecimento de características e na classificação de espécies comuns nas aldeias, utilizando fotos, vídeos e amostras de materiais coletados em campo. “Buscamos mostrar a importância desses insetos para o ecossistema e para o próprio cotidiano dos indígenas nas aldeias, enfatizando que é possível controlar pragas da agricultura por meio de seus inimigos naturais”, destaca.

 

Inimigos naturais

O povo Kaxinawá tem forte tradição agrícola, mas, a presença de insetos-pragas nos roçados prejudicava os cultivos. Além de técnicas para controle das formigas cortadeiras nos roçados, o projeto também realizou capacitações com foco no controle do moleque da bananeira e gorgulho do milho, problemas também frequentes na Terra Indígena. Em relação ao controle de formigas cortadeiras, essa foi a segunda capacitação sobre técnicas de controle a partir de sementes de gergelim.

“Em atividades anteriores orientamos sobre o uso de produtos à base de esterco bovino fervido, práticas com calda de pimenta-do reino e a partir do uso de um fungo (Penicilium) extraído de laranjas apodrecidas no solo, como alternativas de controle do problema. Para controlar os ataques do moleque da bananeira orientamos sobre a confecção de armadilhas tipos “queijo” e “telha”, utilizando o pseudocaule da bananeira”. Para conter a infestação de gorgulho do milho, compartilhamos conhecimentos sobre o uso de extrato de cipó vick, planta com elevado potencial inseticida”, explica Souza.

Segundo Rodrigo Santos, é importante conhecer métodos de controle de insetos-pragas da agricultura, mas também saber que existem muitos insetos que atuam como inimigos naturais das pragas e precisam ser preservados e o uso de produtos químicos pode afetar também essas espécies. Disseminar esses conhecimentos é uma forma de reduzir perdas na produção e fortalecer as atividades agrícolas nas comunidades indígenas”, afirma.

O pesquisador não descarta a possibilidade de descoberta de espécies de insetos ainda não registradas na literatura, no material coletado na Terra Indígena. Os insetos capturados nas aldeias, em diferentes momentos da pesquisa desenvolvida durante o projeto, estão em fase de análise, por meio de um processo minucioso de triagem e identificação realizado em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), SP.

 

Agenda finalizada

Desde 2011, a Embrapa desenvolve ações de pesquisa e transferência de tecnologias na Terra Indígena Kaxinawá de Nova Olinda, localizada no Alto Rio Envira, em Feijó.  A segunda fase do projeto, iniciada em 2015, tem encerramento previsto para janeiro de 2019. Os minicursos realizados finalizam a agenda de capacitação prevista na atividade “Levantamento de Himenópteros Parasitoides e Controle de Insetos na Agricultura Kaxinawá”.

De acordo com o pesquisador Moacir Haverroth, líder do projeto, o trabalho realizado nas aldeias, envolve diversas equipes compostas por profissionais de diferentes áreas do conhecimento. “Atuamos de forma harmoniosa, na busca de alternativas para o fortalecimento da agricultura indígena, com foco na segurança alimentar e geração de renda nas aldeias”, diz.

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Top Notícias

Cepea

BM&F