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GeoPantanal mostra aplicação de geotecnologias em estudos ambientais

quinta-feira | 08-11-2018


Organizadores destacam oportunidade de disseminação do conhecimento ao final do simpósio – Foto: Nadir Rodrigues

 

EMBRAPA – A aplicação das geotecnologias em estudos ambientais para monitoramento do Pantanal, no Brasil, Paraguai e Bolívia, vem contribuindo para preservar o bioma. Experiências realizadas nestes países foram tema de uma mesa-redonda realizada durante o 7º Simpósio de Geotecnologias no Pantanal – 7º GeoPantanal, ocorrido em Jardim (MS), de 20 a 24 de outubro. O simpósio reuniu 186 pessoas, para apresentação de 109 trabalhos técnico-científicos e participação em cinco cursos práticos.

Um mapa de vulnerabilidade que identifica as áreas mais sujeitas a impactos e que necessitam de melhores estratégias de proteção é um dos resultados de estudos realizados na Bolívia. A pesquisadora Lilian Apaza Vargas, do Museu de História Natural Noel Kempff Marcado, de Santa Cruz de la Sierra, expôs um trabalho de análise territorial de objetos de conservação da área natural de manejo integrado em San Matías. A identificação de espécies e a elaboração de mapas de paisagem natural e humana permitiu construir um plano que fortalece a preservação da biodiversidade com apoio da população indígena da região.

O monitoramento do Pantanal paraguaio conta com suporte de dados geoespaciais, como mapas e imagens de satélite. As geotecnologias foram usadas para gerar o mapa de cobertura da terra do Paraguai, de 2011, com identificação de terra cultivada, savana, cobertura florestal, área urbana, corpos de água, entre outros. As imagens de satélite também possibilitaram elaborar um mapa de degradação relativo ao teor de carbono dos bosques das ecorregiões do país. Outros estudos estão monitorando focos de calor para controlar incêndios florestais. Todas essas experiências foram abordadas pela professora Larissa Rejalaga, da Universidade Nacional de Assunção.

Estudos realizados pelo Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST) foram tema da palestra da pesquisadora Laura Borma, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Laura mostrou o mapeamento e a ecohidrologia em áreas úmidas brasileiras, conduzido pelo CCST, com base nos impactos provocados pelas mudanças climáticas. A palestrante também apresentou resultados de pesquisas realizadas em áreas banhadas pelo rio Paraíba do Sul, com avaliações do teor de umidade e material orgânico, nível do lençol freático, entre outras variáveis.

Além de mesas-redondas, palestras convidadas e exposições, o programa do simpósio incluiu a apresentação de trabalhos orais e em forma de pôsteres. Durante o evento, houve premiação dos três melhores artigos. Leandro França foi premiado pelo trabalho Topological validation of drainage network with QGIS (Validação topológica da rede de drenagem com QGIS), na categoria profissional. E os autores Adriana Moreira, Alice Fassoni-Andrade, Anderson Ruhoff e Rodrigo Paiva, pelo artigo Balanço hídrico no Pantanal: uma abordagem por sensoriamento remoto, na categoria pós-graduação.

Na categoria estudante de nível técnico ou graduação, foram premiados Camila Stael, Weber Girardi, Marcos Coutinho, Rodrigo Leal, Eduardo José Borges e Juliana de Sousa. O artigo apresentado foi Sistema de Informação Geográfica aplicado ao desenvolvimento do APP mobile: o manejo sustentável do Jacaré do Pantanal (Caiman yacare) como exemplo de trabalho.

Disseminação do conhecimento

7° GeoPantanal é resultado da construção de uma trajetória de vida, iniciada pelos pesquisadores João Vila e Myrian Abdon, que há anos vêm trabalhando no bioma, com apoio de institutos de pesquisa e das universidades locais. “Mesmo quando distantes da nossa terra, eles não deixaram de olhar para ela”, contou a professora Sandra Mara da Silva Neves, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Ela enfatizou a relevância do evento como uma oportunidade para trocar experiências, agradecendo especialmente aos estudantes que se esforçaram para participar, contribuindo com a disseminação do conhecimento.

“É gratificante chegar à sétima edição e ver os resultados desse percurso de doze anos, com a participação de vários estudantes que agora retornam como palestrantes. É importante destacar que são profissionais de outros estados que olham para o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul com outra visão, pois têm forte ligação com a região e vêm produzindo conhecimento nas suas diversas áreas há muitos anos”, disse Aguinaldo Silva, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) no encerramento do simpósio.

Os desafios para realizar o evento em locais distantes dos grandes centros, onde estão as universidades locais, foram ressaltados pelo professor Sidney Kuerten, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Segundo ele, foram cinco dias bem produtivos, que ofereceram oportunidade para muito aprendizado, mais conhecimento, mais novidades e produtos voltados para o Pantanal. “Tenho certeza de que o GeoPantanal deixou sua marca em Jardim, assim como deixou em todos os municípios por onde passou”, disse. “Porque conciliar o desenvolvimento com a proteção, estimular as duas coisas, é um grande desafio para a humanidade”, completou, acrescentando a importância de sempre envolver a comunidade local nessa missão.

A diretora administrativa da organização não governamental (ONG) Mupan, Rose Mary Paes de Araújo, que participou de diversas atividades, incluindo um curso com ferramentas de geotecnologias, disse que ficou surpresa com a qualidade técnica do evento. “O nível dos trabalhos apresentados superou as minhas expectativas”, afirmou. O conhecimento adquirido vai ser empregado nas ações relativas aos recursos hídricos realizadas pela ONG localizada em Campo Grande, que tem como objetivo promover a igualdade de gênero e capacitação no Pantanal.

O simpósio foi organizado pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS).

Teve apoio e patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), WWF, Calcário Bodoquena S.A. e Visiona Tecnologia Espacial. Ainda recebeu apoio institucional da Revista Ra’Ega, Instituto Geoeduc e Associação de Especialistas Latinoamericanos em Sensoriamento Remoto (Selper). A Ra’Ega vai publicar uma edição especial com 16 trabalhos, que foram avaliados e classificados pelos pesquisadores do comitê técnico-científico especializados em geotecnologias.

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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